Introdução
A recente aprovação parcial da PEC 221/2019 pelo Senado tem levantado preocupações nas empresas brasileiras, que se veem diante do fim da escala 6×1 e da redução gradual da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. A pesquisa da Carreira Muller, com 486 companhias, aponta que a maioria já está sentindo o impacto da medida e tem que reorganizar turnos, escalas e equipes para manter a competitividade.
Principais impactos
O levantamento destaca que a principal inquietação das empresas é financeira, com 82,96% apontando o aumento dos custos trabalhistas como a maior preocupação. Em seguida, 77,63% citam a necessidade de adequação de escalas e turnos, 44,75% temem dificuldade para manter o nível operacional, 38,36% temem queda de produtividade e 33,30% apontam a necessidade de novas contratações.
Os efeitos da implementação da PEC abrangem desde a gestão de turnos até a produtividade e a contratação de novos trabalhadores. Em relação à gestão de turnos e escalas, quase metade das empresas avalia o impacto como alto (49,40%) e 33,09% como médio. Em custos com folha de pagamento, 43,65% apontam alto e 38,57% médio. Na gestão de horas extras e banco de horas, 42,65% classificam como alto e 38,86% médio.
Na produtividade e desempenho operacional, 38,85% avaliam alto e 40,53% médio. A necessidade de novas contratações tem 29,79% de impacto alto e 43,74% médio.
As áreas mais afetadas são:
- Operações e produção: 72,37%
- Logística: 36,99%
- Atendimento ao cliente: 24,43%
- Manutenção: 22,90%
- Áreas administrativas e financeiras: 22,60%
Pequenas e médias empresas
As PMEs são as mais pressionadas, pois muitas ainda não possuem estruturas de Recursos Humanos preparadas para reorganizar jornadas, escalas e equipes. Apenas 3,42% dessas empresas se consideram totalmente preparadas, 21,23% dão nota 4 (em escala de 1 a 5), 50,23% se classificam como intermediárias (nota 3), 15,52% dão nota 2 e 9,59% afirmam não estar preparadas.
Quanto aos prazos de implementação, 43,84% ainda não sabem quando começarão, 28,77% pretendem iniciar imediatamente após a aprovação, 18,64% estimam começar em até três meses e apenas 6,16% indicam um prazo entre três e seis meses.
Marco Schanoski, CEO da Carreira Muller, observa que a consultoria tem recebido inúmeros contatos de PMEs de todo o país em busca de orientação para avaliar os efeitos da possível mudança. Ele ressalta que as empresas precisarão analisar escalas, equipes, custos e produtividade para manter as operações.
Reorganização deve anteceder novas contratações
As alternativas mais citadas pelas empresas são a revisão dos turnos para otimizar a jornada (37,67%), a contratação de novos colaboradores (35,16%) e a saída antecipada de funcionários (34,70%). Entre as que estudam alterações, 32,88% avaliam redesenhar processos e 32,65% consideram automação e aumento de produtividade.
O estudo também aponta um impacto potencial de 10% nos custos de pessoal em empresas prestadoras de serviços terceirizados, o que pode ameaçar o equilíbrio econômico de contratos já existentes.
Em 56,62% das empresas, a área de Recursos Humanos lidera internamente a discussão sobre a adequação à PEC.
Conclusão
A PEC 221/2019 já transformou o debate sobre jornada de trabalho em um problema concreto de planejamento empresarial. As empresas, especialmente as PMEs, precisam agir rapidamente, revisando escalas, investindo em automação e reavaliando seus custos para garantir que a mudança não comprometa a produtividade e a sustentabilidade financeira. A expectativa é que, com planejamento adequado, a transição seja menos onerosa e mais alinhada às demandas do mercado atual.