Ofício das Baianas de Acarajé continua a ser um elo vivo entre o passado e o presente, mantendo vivos saberes de matriz africana que atravessam gerações. Em 2005, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu o ofício como Patrimônio Cultural do Brasil, catalogando conhecimentos que vão desde a preparação dos alimentos até a religiosidade e a venda em tabuleiros.
O preparo do acarajé – feijão-fradinho frito no azeite de dendê – traz raízes da África Ocidental, introduzidas no Brasil pelos africanos escravizados. A transmissão desses saberes foi, sobretudo, preservada por mulheres negras, que hoje continuam a ensinar o preparo, a escolha de ingredientes e a organização dos tabuleiros em feiras, praças e festas populares.
Além da culinária, o ofício mantém vínculos profundos com as religiões de matriz africana, especialmente o candomblé, refletindo a interconexão entre fé, cultura e identidade. Em 2022, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural aprovou a revalidação do título, ampliando o registro para todo o território nacional onde a prática seja identificada, e estabelecendo ações de salvaguarda para garantir a continuidade e a transmissão do conhecimento às próximas gerações.
A participação ativa das próprias baianas é central nesse processo de preservação, que não apenas protege um legado cultural, mas também abre portas para o fortalecimento econômico e a valorização da identidade afro-brasileira em todo o país.