Introdução
Na sede da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Genebra, a ApexBrasil apresentou ao mundo as experiências brasileiras que unem economia circular e desenvolvimento sustentável. O painel, promovido pela agência de promoção de exportações e investigações e pela Missão Permanente do Brasil, reuniu diplomatas, empresas e organizações internacionais para discutir como o comércio, a competitividade e a inclusão podem ser impulsionados por modelos circulares.
Desenvolvimento
A gerente de Indústria e Serviços da ApexBrasil, Mariele Christ, ressaltou que o encontro contou com uma composição totalmente feminina, trazendo diferentes perspectivas sobre a economia circular. Entre as painelistas, destacou a participação de uma especialista internacional que abordou serviços na economia circular, e de Alpargatas, gigante brasileira reconhecida mundialmente.
O debate, intitulado “Serviços Circulares para uma Economia Circular Inclusiva”, contou com a presença de representantes da IBEC Circular, da PCX Solutions e da So+ma. O objetivo foi analisar como serviços, tecnologia, financiamento e acesso a novos mercados podem ampliar soluções circulares e gerar valor para empresas e para a economia como um todo.
Durante a sessão, foram apresentados exemplos concretos de empresas que já estão operando na prática. Um destaque foi o programa de logística reversa da Havaianas, que, desde 2020, recolhe chinelos usados em mais de 500 lojas. Até o momento, o programa já recuperou quase um milhão de pares, equivalente a pouco mais de 200 toneladas de borracha, que pode ser transformada em pisos, móveis e acessórios.
Além disso, a diretora da Divisão de Comércio Sustentável e Inclusão do International Trade Centre, Vanessa Erogbogbo, enfatizou que a transição para uma economia circular vai além da simples redução de resíduos. Ela requer a construção de mecanismos que garantam que os materiais continuem circulando e gerando valor, conectando empresas a consumidores, recicladores, municípios e outros atores.
Já a representante da PCX Solutions, Stefanie Beitien, destacou a escassez de financiamento para a economia circular, especialmente no Sul Global. Ela apontou os créditos de plástico como um dos instrumentos disponíveis para apoiar a recuperação de recursos e a transição de modelos de produção.
Mariele Christ enfatizou que a economia circular tem potencial para ampliar a presença de empresas brasileiras no mercado internacional, transformando a agenda ambiental em uma estratégia de segurança econômica, desenvolvimento e posicionamento global.
Conclusão
O encontro em Genebra reforçou a importância de repensar a produção e o consumo no Brasil, reconhecendo a economia circular como uma oportunidade de inovação, geração de empregos e inclusão social. Para que o país se consolide como referência internacional, será necessário ampliar o acesso a financiamento, fortalecer a logística reversa e integrar todos os atores da cadeia produtiva em soluções que mantenham os materiais em circulação, gerando valor e competitividade no cenário global.