O que mudou com o acordo
Na última quinta-feira (1º), o tratado de livre comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) começou a vigorar oficialmente, abarcando as relações comerciais entre o Brasil e a Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. A medida diminui tarifas e estabelece novas condições de acesso para produtos brasileiros nesse bloco que movimentou US$ 471,8 bilhões em importações em 2023.
A entrada em vigor será gradual: as regras entre Brasil e Noruega já estão aplicáveis a partir de 1º de novembro, enquanto a implementação entre Brasil, Suíça e Liechtenstein aguarda a conclusão de procedimentos internos nesses países. O tratado foi oficialmente promulgado no Brasil em 23 de setembro, por meio de decreto publicado em edição extra do Diário Oficial da União. As negociações iniciaram em 2017, alcançaram um acordo político em 2019 e foram retomadas em abril de 2024, sendo concluídas em junho de 2025 após reuniões técnicas virtuais e quatro rodadas presenciais em Buenos Aires.
Mercado da EFTA
A EFTA reúne quatro nações europeias que não pertencem à União Europeia: Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. Juntas, elas contêm cerca de 15 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 1,4 trilhão. De acordo com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o PIB per capita médio desses países gira em torno de US$ 98 mil, com Liechtenstein atingindo US$ 219,8 mil.
Apesar de sua população relativamente pequena, a EFTA desempenha um papel expressivo no comércio internacional. Em 2023, o bloco importou US$ 471,8 bilhões, posicionando-o na 14ª posição entre os maiores mercados importadores do mundo. Quando somados ao Mercosul, esses países formam um mercado com cerca de 290 milhões de consumidores e um PIB total de cerca de US$ 4,39 trilhões, segundo dados de 2024.
Impacto esperado para o Brasil
Para o presidente da ApexBrasil, Laudemir Muller, a redução de tarifas e as novas condições de acesso representam uma oportunidade significativa para ampliar os negócios de empresas brasileiras. “Agora estamos dentro, temos acesso diferenciado. Isso pode mudar o seu negócio, pode mudar a sua empresa, pode mudar a sua cooperativa, a sua propriedade rural. Isso vai gerar mais exportação, mais negócios e gerar emprego e renda”, afirma.
No entanto, a simples eliminação de tarifas não garante a geração de novos negócios. As empresas precisam identificar demanda nos mercados de destino, cumprir as regras do tratado e encontrar compradores. A ApexBrasil oferece serviços de inteligência de mercado, promoção comercial, missões empresariais, participação em feiras internacionais e rodadas de negócios para facilitar esse processo.
Atuação da ApexBrasil
Além de monitorar oportunidades específicas nos quatro países da EFTA, a ApexBrasil orienta empresas interessadas em expandir ou iniciar exportações para a região. O acordo amplia a rede de preferências comerciais do Mercosul na Europa, complementando o entendimento firmado entre o bloco sul-americano e a União Europeia.
Em síntese, o tratado de livre comércio entre o Mercosul e a EFTA abre portas para o Brasil, mas o sucesso dependerá da capacidade das empresas em explorar as novas condições, adaptar seus produtos às exigências dos mercados europeus e estabelecer parcerias sólidas. O desafio será transformar a redução de tarifas em crescimento real das exportações e, consequentemente, na geração de empregos e renda no país.