Resumo do Boletim
O boletim mais recente da Fiocruz, referente à semana epidemiológica 38 (20 a 26 de setembro), destaca um crescimento nos casos de Síndrome Respiratória Grave (SRAG) em crianças de até 4 anos no Rio de Janeiro e em Sergipe. Os autores apontam que, entre os vírus identificados, apenas o metapneumovírus e o SARS‑CoV‑2 (Covid‑19) apresentam tendência de aumento em todo o país.
Regiões afetadas
Além das duas capitais citadas, o relatório identifica incremento de SRAG por metapneumovírus nos estados do Sul (Paraná e Santa Catarina), Sudeste (Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo) e Nordeste (Bahia, Paraíba, Pernambuco e Sergipe). Cinco demais estados (Maranhão, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Roraima e Santa Catarina) registraram aumento em níveis de alerta, risco ou alto risco, embora sem projeção de crescimento a longo prazo.
Em relação às capitais, Porto Alegre (RS), Rio Branco (AC) e Rio de Janeiro (RJ) são as únicas cidades de 27 capitais que apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco, com sinal de crescimento nas últimas seis semanas até a SE 38.
Contexto epidemiológico nacional
Até o momento de 2026, foram notificados 157.908 casos de SRAG no Brasil, dos quais 53,9% tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório. Dentre esses, 16,4% foram de influenza A, 5,5% de influenza B, 40,4% de vírus sincicial respiratório (VSR), 32,1% de rinovírus e 3,8% de SARS‑CoV‑2.
A Fiocruz observa que os casos de SRAG apresentam sinais de queda nas últimas seis semanas, mas um crescimento nas últimas três semanas. Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, os vírus mais frequentes foram: 52,4% de rinovírus, 18,1% de VSR, 6,7% de influenza B, 4% de SARS‑CoV‑2 e 3,2% de influenza A.
Análise e implicações
O aumento concentrado em crianças pequenas indica a necessidade de reforçar a vigilância e os protocolos de prevenção em unidades de saúde pediátricas. O metapneumovírus, embora menos divulgado, demonstra capacidade de gerar surtos graves e deve ser incluído nos exames de rotina. A persistência do SARS‑CoV‑2 em níveis de alerta em algumas capitais sugere que medidas de controle, como vacinação de reforço e uso de máscaras em ambientes fechados, continuem relevantes.
Os profissionais de saúde devem estar atentos ao perfil epidemiológico que evolui rapidamente, ajustando estratégias de diagnóstico e tratamento. A Fiocruz recomenda a manutenção de campanhas de vacinação contra influenza e VSR, além de reforçar a importância da higiene das mãos e do distanciamento social quando necessário.