Em 2026, o Ministério da Saúde contabilizou 52 casos de sarampo em todo o território nacional. Dentre eles, 41 foram confirmados em São Paulo, 10 no Amazonas e apenas um no Rio de Janeiro. Segundo a pasta, todos os casos foram importados de outros países, reforçando a necessidade de vigilância internacional e de reforço das campanhas de imunização.
Para impedir a propagação, as equipes de saúde têm adotado busca ativa, investigação epidemiológica, monitoramento de contatos e bloqueio vacinal. A vacinação foi intensificada em espaços públicos e locais de grande circulação nas regiões com casos confirmados, demonstrando a efetividade de medidas coordenadas.
O Painel de Doenças Exantemáticas aponta que mais de 3,8 mil casos de sarampo foram notificados ao Ministério da Saúde neste ano. Dentre esses, 2,3 mil foram descartados como suspeitos e cerca de 1,4 mil permanecem em investigação, evidenciando a complexidade de diagnosticar a doença em tempos de maior circulação de vírus.
Apesar dos registros, o Ministério da Saúde ressalta que o Brasil continua livre da circulação endêmica do sarampo. Em 2019, em cenário de baixas coberturas vacinais, o país registrou mais de 20 mil casos, o que resultou na perda da certificação internacional de eliminação do vírus após mais de 12 meses de transmissão. Em novembro de 2024, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) recertificou o Brasil como livre da circulação endêmica do sarampo, após a interrupção da transmissão sustentada.
Entre 2023 e 2025, foram confirmados 43 casos no país, sem registro de mortes. Desde 2023, a cobertura das 16 vacinas do calendário infantil aumentou, enquanto o número de crianças não vacinadas caiu 86%, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Unicef. Em 2025, a cobertura da primeira dose da tríplice viral atingiu 93,10% no Brasil, 94,39% em São Paulo e 89,54% no Amazonas.
O Ministério da Saúde reforça que a vacinação é a principal forma de prevenção e está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Pessoas com doses em atraso devem procurar uma unidade de saúde para atualizar a caderneta, conforme as recomendações do Programa Nacional de Imunizações (PNI).
Ações de vacinação e vigilância
Em 2026, o Ministério da Saúde realizou quatro grandes mobilizações de vacinação. Ao todo, foram aplicadas mais de 3,8 milhões de doses em São Paulo e cerca de 192 mil no Amazonas.
Em São Paulo, a vacinação contra o sarampo foi reforçada na capital e nos municípios de Guarulhos, São Bernardo do Campo e Santo André. As ações incluem busca ativa, investigação de casos, acompanhamento de contatos e bloqueio vacinal.
A estratégia prevê a chamada dose zero da vacina contra o sarampo para crianças de 6 meses a 11 meses e 29 dias, adicional às doses previstas no calendário de rotina, administradas aos 12 e 15 meses.
Na região de tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, no Amazonas, a pasta intensificou as medidas de resposta após a confirmação de casos importados. Entre as ações estão vacinação, busca ativa, investigação de casos suspeitos, coleta de amostras, identificação e acompanhamento de contatos e bloqueio vacinal, com apoio de equipes federais.
Avanço do sarampo nas Américas
O Ministério da Saúde também alerta para o risco de transmissão no Brasil diante do avanço do sarampo nos Estados Unidos e em outros países das Américas.
Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), o país registra o maior número anual de casos de sarampo em mais de 35 anos. Mais de 90% dos casos correspondem a pessoas não vacinadas ou com situação vacinal desconhecida, e a maioria dos infectados tem até 19 anos.
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