Empresas industriais brasileiras sofrem impactos significativos devido a atos ilícitos
Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que um terço das empresas industriais brasileiras foi afetado por atos ilícitos nos últimos dois anos. De acordo com a Sondagem Especial Brasil Legal, a perda anual sobre a receita líquida de vendas pode chegar a R$ 39 bilhões. Isso significa que as empresas estão perdendo recursos significativos devido a práticas ilegais como contrabando, descaminho, contrafação, não conformidade técnica e crimes patrimoniais.
Os impactos foram mais severos entre as pequenas e médias empresas, que perderam 0,6% e 0,8% da receita líquida anual, respectivamente. Já as grandes empresas perderam 0,4% da receita líquida anual. O gerente de Competitividade da CNI, Alexandre de Queiroz Stein, explica que as pequenas empresas são mais vulneráveis a esses atos ilícitos devido à falta de recursos para se prevenir e monitorar.
Roubo de carga e não conformidade técnica são os principais problemas
Entre os atos ilícitos mais recorrentes, o roubo de carga aparece na liderança, afetando 32% das empresas. Já a não conformidade técnica é o segundo problema mais citado, atingindo 29% das empresas. A prática envolve a comercialização de produtos fora dos padrões técnicos, regulatórios ou de segurança exigidos por lei, incluindo ausência de certificações obrigatórias, rotulagem inadequada e descumprimento de normas de qualidade.
Stein ressalta que a comercialização e o uso de produtos fora das regulamentações técnicas representam riscos não apenas para as empresas, mas para toda a sociedade, com impactos sobre a segurança do consumidor e a economia.
Fiscalização e controle são as principais medidas de combate
Para 77% das empresas entrevistadas, ampliar a fiscalização e o controle é a medida mais importante para combater os efeitos da ilegalidade. Além disso, 46% das empresas também acreditam que investimentos em inteligência podem aumentar a eficácia no enfrentamento ao crime e 36% defendem o endurecimento da legislação.
A pesquisa também aponta que 41% das empresas consideram que os órgãos estaduais de segurança pública são os que mais precisam de fortalecimento, devido à forte atuação do crime em mercados locais e vias de transporte.
Custos com prevenção superam perdas causadas pelo crime
O levantamento mostra que a prevenção contra os atos ilícitos custa mais do que o crime. As despesas da indústria com segurança patrimonial e cibernética equivalem a 1,1% da receita líquida das empresas, totalizando R$ 68,5 bilhões. O valor supera os R$ 39,1 bilhões em prejuízos diretos causados pelos atos ilícitos.
Ao mesmo tempo, a sondagem da entidade mostra que o comércio eletrônico já é o segundo principal canal de venda de produtos ilícitos e que muitas empresas sequer conseguem identificar em quais plataformas esses produtos estão sendo comercializados.
Conclusão
Em resumo, a indústria brasileira está enfrentando um desafio significativo devido a atos ilícitos, que estão afetando um terço das empresas e causando perdas significativas. A fiscalização e o controle são as principais medidas de combate, e a prevenção contra os atos ilícitos custa mais do que o crime. É fundamental que as empresas e os órgãos de segurança pública trabalhem juntos para combater esses problemas e proteger a economia e a sociedade.