O cenário epidemiológico do Brasil continua a ser marcado pela Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)
Segundo o mais recente Boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o número de casos de SRAG continua a crescer em todo o país, afetando todas as faixas etárias. O alerta é uma preocupação para os profissionais de saúde e para a população em geral, especialmente considerando que a vacinação ainda não alcançou a cobertura desejada.
As hospitalizações provocadas pelo vírus sincicial respiratório (VSR) e pela influenza A estão aumentando, principalmente nas regiões Sudeste e Sul, além de grande parte do Nordeste. O crescimento também foi identificado em estados do Norte, como Pará e Amapá, e em Mato Grosso do Sul.
No entanto, o estudo aponta sinais de estabilização ou queda nas notificações nos demais estados do Centro-Oeste, além de localidades do Norte, como Acre e Amazonas, e do Nordeste, como Pernambuco e Maranhão.
Os dados de resultados laboratoriais por faixa etária mostram que o aumento dos casos de SRAG entre crianças de até quatro anos tem sido impulsionado principalmente pelo VSR. Já as hospitalizações por influenza A continuam avançando em toda a Região Sul, além de São Paulo e Espírito Santo, no Sudeste, e Roraima e Tocantins, no Norte.
A pesquisadora do Boletim InfoGripe, Tatiana Portella, reforça a importância da vacinação neste período de maior circulação de vírus respiratórios. Segundo ela, as vacinas contra influenza e VSR ajudam a reduzir o risco de agravamento da doença e de mortes.
A vacina contra o VSR é destinada às gestantes a partir da 28ª semana de gestação e protege o bebê durante os primeiros seis meses de vida. Já a vacina contra a influenza tem como público-alvo idosos, crianças, pessoas com comorbidades, gestantes, puérperas, entre outros grupos de risco.
Além da imunização, a pesquisadora recomenda medidas de prevenção, como cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar, evitar compartilhar objetos de uso pessoal, lavar as mãos com frequência, usar máscara em caso de sintomas respiratórios e evitar contato próximo com outras pessoas ao apresentar sinais de gripe ou resfriado.
Capitais em alerta
O InfoGripe aponta que 17 capitais brasileiras apresentam níveis de alerta, risco ou alto risco para SRAG, com tendência de crescimento de longo prazo. Entre elas estão Aracaju (SE), Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Goiânia (GO), Macapá (AP), Palmas (TO), Porto Alegre (RS), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), São Luís (MA) e Teresina (PI).
Prevalência dos vírus
Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, a distribuição dos vírus entre os casos positivos de SRAG foi a seguinte: 22,4% de influenza A, 4,7% de influenza B, 47,6% de VSR, 23,9% de rinovírus e 2,3% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença dos mesmos agentes foi: 51,2% de influenza A, 7,2% de influenza B, 13,4% de VSR, 17,2% de rinovírus e 9,6% de Sars-CoV-2 (Covid-19).
É fundamental que a população esteja alerta e tome medidas de prevenção para evitar a propagação da SRAG. A vacinação é uma ferramenta importante para reduzir o risco de agravamento da doença e de mortes. Além disso, é fundamental que os profissionais de saúde estejam preparados para lidar com o aumento de casos de SRAG.
A situação epidemiológica no Brasil é um alerta para a necessidade de uma atenção especial e urgente para a saúde pública. É fundamental que a população esteja informada e tome medidas para proteger a saúde e a vida própria e dos outros.