Proposta dos EUA Preocupa Indústria Nacional
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) expressou preocupação com a proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida, apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), pode afetar as exportações brasileiras e gerar impactos nas cadeias produtivas dos dois países.
Segundo a CNI, a tarifa adicional pode prejudicar a relação econômica bilateral entre Brasil e Estados Unidos. A entidade defende a ampliação do diálogo entre os dois países para buscar alternativas à medida. “A relação econômica entre Brasil e Estados Unidos é estratégica, sólida e construída ao longo de décadas. A eventual adoção de tarifas adicionais vai prejudicar a indústria brasileira e o mercado norte-americano”, afirmou Ricardo Alban, presidente da CNI.
Alban também argumentou que a proposta desconsidera a integração existente entre cadeias produtivas dos dois países. “Uma decisão tão genérica, cercada de injustiças. Temos máquinas e equipamentos que são complementares, inclusive, com vendas intercompanies americanas, como máquinas voltadas para o agronegócio, motores que não são substituídos facilmente”, salientou.
Dados Alarmantes
Os dados da CNI mostram que as exportações brasileiras de bens da indústria de transformação para os Estados Unidos somaram US$ 30,2 bilhões em 2025, queda de 4,2% em relação ao ano anterior. Além disso, entre os 15 principais setores exportadores, nove registraram retração, com os maiores recuos observados nos segmentos de produtos de metal (-31,6%), madeira (-20%), celulose e papel (-19,9%) e veículos automotores (-17,6%).
Defesa Comercial
Ricardo Alban defendeu a incorporação da defesa comercial à política industrial e o fortalecimento de cadeias produtivas consideradas estratégicas para o país. “O Brasil precisa se debruçar, definitivamente, de forma compartilhada com o setor produtivo, na verdadeira defesa comercial. Estados Unidos, Europa, Japão e China fazem isso e nós temos que fazer”, afirmou.
Espaço para Negociação
A CNI avalia que ainda existe espaço para negociação. No dia 6 de julho, o USTR realizará uma audiência pública para discutir o tema e receber contribuições por escrito de governos, entidades e empresas interessadas. A expectativa da indústria é que o Brasil utilize essa oportunidade para apresentar argumentos técnicos que contribuam para uma avaliação mais equilibrada da medida.
A CNI informou que continuará acompanhando as discussões e atuando junto às autoridades brasileiras e norte-americanas para buscar soluções que preservem a parceria econômica entre os dois países e reduzam os impactos para o setor produtivo.