Ministério da Saúde suspende vacinação com a Butantan-DV após casos graves de dengue
O Ministério da Saúde anunciou na última segunda-feira (8) a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante do Instituto Butantan (Butantan-DV), após o registro de 42 casos com sinais de alerta, incluindo três óbitos. Esses eventos correspondem a 0,008% de um total de 501 mil doses aplicadas até 30 de maio de 2026.
Entre os sintomas, foram observados dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos, manifestações que não haviam sido identificadas nos estudos clínicos, nem estavam descritas na bula do imunizante.
A decisão foi tomada em consenso com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e é baseada em investigações em andamento para determinar se há uma possível correlação entre os casos e a vacina.
Quem já recebeu a vacina continua protegido
De acordo com o Ministério da Saúde, quem já recebeu a Butantan-DV continua protegido contra os quatro sorotipos da dengue. A suspensão temporária da estratégia não altera a eficácia do imunizante.
Segundo a pasta, mais de 90% dos vacinados não apresentaram efeitos colaterais, e a maioria dos eventos adversos foi classificada como leve ou moderada, com desaparecimento espontâneo em poucos dias.
Outras vacinas contra a dengue estão disponíveis
Apesar da suspensão da vacinação com a Butantan-DV, outras vacinas contra a dengue continuam disponíveis nas redes pública e privada de saúde, com eficácia e segurança comprovadas.
Uma delas é a Qdenga, da farmacêutica japonesa Takeda, que foi aprovada pela Anvisa em março de 2023 e é indicada para pessoas de quatro a 60 anos, independentemente de terem tido dengue anteriormente.
Cerca de 8 milhões de doses da Qdenga já foram aplicadas no Brasil, com impactos visíveis no controle da doença. No entanto, a capacidade de produção da vacina ainda é insuficiente para atender à demanda nacional.
Casos de dengue caem 94%
Até 30 de maio deste ano, o Brasil registrou queda de 94% nos casos prováveis de dengue e de 97% no número de mortes em comparação com o mesmo período de 2024, segundo levantamento do Ministério da Saúde.
A pasta reforça que a vacinação permanece como uma ferramenta fundamental no enfrentamento da doença e pode contribuir para resultados ainda mais expressivos nos próximos anos.