Produtividade e Educação: Um Caminho para o Futuro
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) lançou recentemente um documento intitulado “Construindo o Brasil 2050: a indústria na agenda dos presidenciáveis”, que apresenta propostas para a retomada do crescimento sustentável da economia brasileira. Entre as principais recomendações, destaca-se a importância de melhorar a qualidade da educação brasileira e formar profissionais preparados para atuar em áreas estratégicas, como Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática.
Segundo a CNI, o maior desafio da educação brasileira é a qualidade da aprendizagem. Embora a universalização da educação básica tenha sido alcançada, cerca de 73% dos estudantes brasileiros apresentam desempenho insuficiente em matemática, segundo dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) de 2022. Além disso, a deficiência em áreas como ciências, tecnologia e competências digitais compromete a formação de talentos, reduz a capacidade de inovação e dificulta a inserção do Brasil nas cadeias globais de valor.
A CNI destaca ainda que a ampliação do acesso à educação nas últimas décadas não foi acompanhada por ganhos consistentes de produtividade e competitividade. Entre 1981 e 2024, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita brasileiro cresceu, em média, apenas 1% ao ano, enquanto a produtividade por hora trabalhada avançou somente 0,5% ao ano.
A Importância da Qualificação dos Professores
A CNI chama atenção para o chamado “apagão docente”, caracterizado pela escassez de professores qualificados, especialmente nas áreas de matemática, física, química, tecnologia e computação. Segundo a entidade, o cenário é resultado da baixa atratividade da carreira e das desigualdades na formação dos profissionais. A valorização e a qualificação dos professores são essenciais para elevar a qualidade da educação básica.
Inteligência Artificial na Educação
Como forma de reduzir as deficiências educacionais, a CNI propõe uma estratégia nacional de qualificação que incorpore a Inteligência Artificial e as competências digitais em toda a trajetória educacional. A proposta busca fortalecer a alfabetização digital, o pensamento computacional, a ciência de dados e o uso ético das novas tecnologias.
Expansão da Formação Profissional
Além do fortalecimento da educação básica e da valorização do corpo docente, a CNI defende a expansão da Educação Profissional e Tecnológica para formar trabalhadores capazes de atender às demandas da transformação digital, da economia verde e da nova indústria brasileira. Entre as medidas defendidas pela indústria estão a criação de uma política nacional de incentivo à formação em Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, a expansão da Educação Profissional e Tecnológica, a implementação de programas de requalificação em competências digitais e a modernização dos currículos.
A CNI também recomenda a criação de mecanismos inovadores de financiamento educacional, como o programa Juros por Educação, para ampliar o acesso e garantir a permanência dos jovens na educação profissional. Com essas medidas, a CNI busca contribuir para o desenvolvimento de um Brasil mais produtivo, competitivo e sustentável.