Introdução
No último domingo (16), a campanha eleitoral foi oficialmente aberta. Enquanto os cargos de prefeito e vereador ficam de fora das eleições gerais, a forma como os votos são distribuídos entre cidades e estados continua a revelar quem pode contar com apoio sólido em regiões específicas. A análise da votação de 2022 mostra que, mesmo em eleições de âmbito nacional, a força de um candidato pode depender de poucos municípios.
Desenvolvimento
O exemplo mais marcante é o de Amom Mandel (Cidadania). Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, em 2022, o jovem de 21 anos foi o deputado federal mais votado do Amazonas, com 288.555 votos. Aproximadamente 92% desses, ou 265,5 mil votos, foram registrados nas urnas de Manaus, evidenciando uma concentração quase exclusiva na capital.
No Rio de Janeiro, a concentração ainda mais acentuada aparece em vários candidatos. Jorge Braz (Republicanos) recebeu 59.201 votos, dos quais 94,9% vindos da capital. Daniel Soranz (PSD) alcançou 84% dos seus 98.784 votos, enquanto Laura Carneiro (PSD) e Pedro Paulo (PSD) obtiveram 83,7% e 83,5% dos seus 48.073 e 76.828 votos, respectivamente. A explicação mais simples: a cidade do Rio reúne cerca de um terço do eleitorado estadual.
Em contrapartida, em Minas Gerais, o maior número de municípios do país (853) demonstra a dispersão de votos. A deputada federal Delegada Ione Barbosa (Avante) contou com apoio de 414 cidades, enquanto Ana Paula Junqueira Leão (PP) contou com votos de 348 cidades. Esses números ilustram que a estratégia pode variar amplamente, dependendo do perfil político e da base eleitoral.
Conclusão
O fenômeno da concentração de votos em poucos municípios ou a sua dispersão em centenas não segue um padrão ideológico rígido. Ele revela, sobretudo, a importância de campanhas bem segmentadas, que aproveitam os redutos eleitorais mais relevantes. Para os candidatos, entender onde a base está mais concentrada pode ser a chave para transformar votos em votos efetivos na contagem final.