O cenário de concorrência diminui
Com o encerramento das inscrições no último sábado (15), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou 7.620 candidatos ao cargo de deputado federal para as eleições de 2026, refletindo uma queda de 19,6% em relação aos 9.491 inscritos em 2022. Em média, cada uma das 513 cadeiras na Câmara dos Deputados será disputada por cerca de 15 concorrentes, embora a distribuição varie por estado: o Distrito Federal apresenta a maior competição, com 21 candidatos por vaga, enquanto o Amapá tem apenas 11 por vaga. Vale lembrar que a Justiça Eleitoral ainda avaliará os pedidos de candidatura, e em 2022 já foram considerados inaptos 1.153 candidatos.
Reeleição em destaque
O número reduzido de novos candidatos tem impulsionado a reeleição, contribuindo para a baixa renovação no Legislativo. Dos 513 deputados em exercício, 437 (85%) planejam disputar mais quatro anos no cargo, uma porcentagem menor que os 448 (87%) que concorreram em 2022. O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) destaca que os parlamentares atuais desfrutam de vantagens significativas: R$ 26,6 bilhões em emendas parlamentares individuais, verbas mensais de gabinete entre R$ 30 mil e R$ 44.320,46, salários de assessores que chegam a R$ 111.675,59 por mês, além de recursos do Fundo Eleitoral e acesso privilegiado a grupos políticos influentes.
Perfil dos candidatos evolui
Apesar da diminuição da concorrência, o perfil dos candidatos sofreu mudanças notáveis. As mulheres representam 2.781 candidaturas, correspondendo a 37% do total em 2026, um leve aumento em relação aos 35% registrados há quatro anos. O número de candidatos com nível superior também subiu, passando de 68% em 2022 para 71% em 2026. Em termos de diversidade, os candidatos indígenas cresceram de 50 para 75, enquanto a presença de pessoas transgênero aumentou de 19 para 24.
As mudanças nas regras eleitorais, como a cláusula de desempenho e barreiras de votação, resultaram em uma diminuição na quantidade de partidos representados. Atualmente, existem 30 partidos regulares no Brasil, dos quais 22 têm representação na Câmara. Em 2018, havia 30 de um total de 36 partidos.
Conclusão
A queda nas candidaturas e a predominância de incumbentes sugerem um cenário de estabilidade política, mas também levantam questões sobre a renovação e a representatividade. Enquanto os deputados em exercício mantêm vantagens estruturais que facilitam a reeleição, a crescente diversidade no perfil dos candidatos pode indicar um movimento gradual em direção a um Legislativo mais inclusivo. O futuro das eleições de 2026 será, portanto, marcado pela tensão entre a consolidação de poder por parte dos incumbentes e a necessidade de ampliar a participação de novos atores políticos.