Nos últimos anos, a presença das guardas municipais tem se ampliado em todo o Brasil, mas a expansão vem acompanhada de uma escassez de recursos financeiros e humanos. A Confederação Nacional de Municípios (CNM) divulgou uma pesquisa envolvendo 1.628 administrações municipais que aponta que apenas 26% dos municípios pesquisados já contam com guardas (428 cidades). Ainda assim, 413 municípios pretendem criar essas unidades, o que pode dobrar o número de guardas nos próximos anos.
O estudo destaca que, embora a missão original das guardas seja a proteção patrimonial, 80% delas ainda desempenham essa função. No entanto, a maioria também tem se envolvido em outras atividades de segurança pública, conforme a lista abaixo:
- Manutenção da ordem – 75%
- Segurança escolar – 73%
- Prevenção da violência contra mulheres – 61%
- Policiamento ostensivo – 58%
Para Fagner Dias, professor do Ibmec Brasília e especialista em segurança pública, “a ampliação das atribuições exige investimentos em estrutura, efetivo e, principalmente, capacitação.” Dias alerta que, sem uma base sólida, a expansão pode resultar em sobreposição de tarefas entre as diferentes forças de segurança, gerando retrabalho e custos operacionais elevados.
Ele ressalta que “não adianta apenas colocar pessoas na rua se elas forem despreparadas, seguindo protocolos divergentes, pois isso afeta diretamente a sociedade e gera despesas altíssimas nos processos administrativos”.
Levantamento
Os resultados da pesquisa revelam que os gastos dos municípios com segurança pública aumentaram 66% entre 2016 e 2025. Esse crescimento é quase quatro vezes e meio maior que o da União (12%) e quase três vezes superior ao dos governos estaduais (25%) no mesmo período.
Além da falta de recursos financeiros – apontada por 74% dos gestores – a pesquisa destaca outras deficiências: insuficiência de efetivo (57%), estrutura física inadequada (43%) e falta de capacitação (30%).
Segundo a CNM, os municípios têm ampliado o número de guardas e o escopo de suas atividades com recursos próprios, mas a integração plena ao Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) só será possível se houver um financiamento federal continuado e sustentável. “Sem esse apoio, os municípios não conseguirão atuar de forma efetiva”, afirma a entidade em nota.
Em síntese, a expansão das guardas municipais demonstra um esforço em fortalecer a segurança local, mas a falta de investimento adequado pode comprometer a qualidade do serviço e criar conflitos de atuação entre as forças de segurança. Para que a iniciativa seja bem-sucedida, é essencial que os municípios recebam apoio financeiro, estrutura adequada e programas de capacitação contínua, garantindo uma atuação coordenada e eficiente em prol da população.