Intenção de investimento em queda contínua
Na última edição da Sondagem Industrial divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda‑feira (21), a intenção de investimento do setor industrial recuou pelo quarto mês consecutivo, atingindo o menor patamar desde agosto de 2020, quando a pandemia ainda afetava a economia.
O índice de intenção de investimento deslizou de 52,6 para 51,3 pontos, um recuo de 1,3 ponto. Essa queda representa um desvio de 3,5 pontos desde o início da sequência em maio.
Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, o declínio reflete a perda de ritmo da atividade industrial e o aumento das incertezas que afetam as decisões das empresas.
“A incerteza aumentou, o que reduziu a expectativa. Num contexto de queda da atividade e expectativas moderadas, a intenção de investimento vem caindo, consolidando um patamar bastante baixo em setembro”, explica Azevedo.
A perspectiva para os próximos seis meses também piorou. Em setembro, a expectativa de demanda por produtos caiu 1,4 ponto, para 51,2. A previsão de compra de insumos e matérias‑primas diminuiu 0,8 ponto, chegando a 50,4. Já a expectativa de quantidade exportada recuou 0,6 ponto, para 48,9, e o indicador de número de empregados caiu 0,2 ponto, para 49,2.
O economista Carlos Eduardo Oliveira Jr. destaca que a queda da intenção de investimento ocorre em um cenário de juros elevados, que encarecem o crédito e alertam as empresas nas tomadas de decisões.
“Isso gera um custo mais caro do crédito e aumenta a cautela dos empresários diante das incertezas econômicas, especialmente com a redução do consumo das famílias. O resultado não indica paralisação dos investimentos, mas sim uma postura prudente das empresas que aguardam os próximos meses, principalmente diante da movimentação moderada da indústria”, observa Oliveira Jr.
Apesar das quedas, as expectativas de demanda por produtos e de compra de insumos e matérias‑primas permaneceram acima de 50 pontos, indicando que os empresários ainda projetam crescimento nesses itens, embora em ritmo mais lento que o previsto em agosto.
Produção industrial em baixa
A produção industrial também registrou queda em agosto, com o índice de evolução da produção deslizando 4,7 pontos, de 51 para 46,3. O resultado, abaixo de 50, sinaliza redução da produção em relação a julho.
Este foi o menor resultado para um mês de agosto desde 2015, quando a economia brasileira enfrentava uma recessão, e o índice ficou abaixo de 50 apenas em 2025 e agora, em 2026.
“O resultado atípico reflete a queda contínua da demanda por bens industriais, bem como um quadro de incertezas externas e internas. A proximidade das eleições traz um grau de imprevisibilidade, tornando as empresas mais cautelosas na hora de investir, produzir e contratar”, enfatiza Azevedo.
A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) também diminuiu, caindo 1 ponto percentual em agosto e atingindo 69%, dois pontos percentuais abaixo da média de agosto.
O emprego acompanhou a tendência, com o índice de evolução do número de empregados em 48,2 pontos, após queda de 0,4 ponto em relação a julho.
Os estoques de produtos finais recuaram, com o índice de evolução do nível de estoques caindo de 51 para 49,5, uma redução de 1,5 ponto. O resultado, abaixo de 50, indica queda nos estoques de julho para agosto. Contudo, o índice de estoque efetivo‑planejado avançou 0,2 ponto, para 50,4, mantendo os estoques próximos ao nível projetado pelas empresas.
Sobre a pesquisa
A Sondagem Industrial de setembro contou com a participação de 1.403 empresas entre os dias 1º e 11 de setembro, das quais 587 eram pequenas, 487 médias e 329 grandes.