Forró vai muito além de uma simples batida. Quando a sanfona se mistura ao ritmo da zabumba e ao toque do triângulo, o som se espalha pelo salão, convidando pares a dançar e a celebrar. Esse conjunto de práticas — música, dança, ensino e celebração — foi reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Matrizes Tradicionais do Forró, consolidando o gênero como patrimônio cultural do Brasil.
Do Nordeste para diferentes regiões do país
Originárias das tradições sertanejas e das expressões culturais do Nordeste, as matrizes do forró ganharam força ao longo do século XX graças à migração de nordestinos e à circulação de músicos. Artistas como Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro foram peças-chave na difusão nacional, trazendo o baião, xote, xaxado, arrasta‑pé, rojão, chamego e balanceio para palcos e rádios de todo o país.
Mesmo com essa expansão, cada região desenvolveu seus próprios grupos, festivais e formas de manter viva a tradição. O processo de registro reconheceu, portanto, a presença das matrizes em diversas localidades brasileiras, garantindo sua abrangência nacional.
Construção coletiva
O pedido de registro, apresentado ao Iphan em 2011 pela Associação Cultural Balaio Nordeste, surgiu de uma mobilização entre músicos, grupos culturais e fóruns ligados ao forró. A iniciativa reuniu pesquisas, documentação audiovisual, encontros e seminários em diferentes estados, permitindo que os detentores definissem o escopo do registro.
O conceito de “matrizes” adotado no processo reflete a natureza dinâmica da manifestação: enquanto mantém referências clássicas, o forró continua se reinventando, incorporando novas ideias e mantendo viva a tradição através da transmissão oral e da convivência comunitária.
Patrimônio Cultural do Brasil
Em 9 de dezembro de 2021, após aprovação unânime do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, as Matrizes Tradicionais do Forró foram inscritas no Livro de Registro das Formas de Expressão. O reconhecimento abrange não apenas os ritmos e danças, mas também os instrumentos — sanfona, zabumba, triângulo, pandeiro, rebeca, pífano e fole de oito baixos —, as técnicas de construção desses instrumentos, os métodos de ensino e as formas de organização de festas e encontros.
O registro destaca que o forró é uma rede de saberes compartilhados. Em salões comunitários, festas juninas e festivais, tocar, cantar e dançar tornam-se veículos de aprendizagem, convivência e fortalecimento de laços entre gerações, garantindo que as matrizes continuem a pulsar em todo o Brasil.
Com informações do Ministério da Cultura.