Em um dia, cerca de 35 mil pintinhos machos foram mortos em um incubatório de grande porte na Região Sul do país. A investigação inédita da organização Mercy For Animals (MFA) revelou que os filhotes foram triturados ainda vivos nas primeiras 24 horas de vida, em máquinas industriais chamadas maceradores, equipadas com lâminas rotativas de alta velocidade.
A MFA destaca que, embora os equipamentos nem sempre provoquem a morte imediata, o procedimento pode prolongar o sofrimento dos animais, que são descartados por não produzirem ovos nem apresentarem características genéticas ideais para a carne. Vanessa Garbini, vice‑presidente de Relações Institucionais e Governamentais da Mercy For Animals, afirma que a investigação evidencia uma prática estrutural da cadeia de produção de ovos no Brasil.
“A maioria das pessoas desconhece que, por trás do consumo de ovos, existe uma realidade terrível, na qual animais frágeis e sensíveis são mortos de forma brutal. Esse tema precisa ser debatido, inclusive porque a nossa Constituição Federal proíbe a crueldade contra animais.”, diz Garbini. “Já existem alternativas para reduzir esse sofrimento, como a sexagem in ovo.”
Alternativas ao descarte de pintinhos machos
Países como Alemanha, França e Itália vêm adotando medidas para eliminar o descarte de pintinhos machos a partir da sexagem in ovo. A tecnologia identifica o sexo da ave ainda durante o período de incubação, evitando a incubação de ovos com embriões machos e, consequentemente, o nascimento de filhotes que seriam mortos.
Garbini ressalta que a tecnologia ainda está em estágio inicial no Brasil e que o tema está em discussão no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). “Grandes empresas já vêm discutindo a sua adoção, porque reconhecem a importância desse tema, e o assunto já está sendo pautado no âmbito do Governo Federal.”
Uma pesquisa realizada pela Ipsos, em parceria com a Mercy For Animals, aponta que 83% dos brasileiros se preocupam com o bem‑estar dos animais na indústria de ovos. Um estudo encomendado pela Innovate Animal Ag no Brasil mostrou que 73% dos respondentes sentem desconforto com o abate de pintinhos machos logo após a eclosão, e 76% concordam que a indústria de ovos deve encontrar uma alternativa à prática.
Regulamentação
No Brasil, a Constituição Federal proíbe a crueldade contra animais, sem fazer distinção entre espécies. Embora ainda não exista lei federal específica sobre o descarte de pintinhos machos, métodos que causem sofrimento podem ser analisados à luz dessa vedação. O descarte cruel e rotineiro de pintinhos já recebeu atenção do Congresso Nacional, onde tramitam dois projetos de lei sobre o tema, o PL 783/2024 e o PL 3034/2026.
A MFA destaca que o desconhecimento das pessoas sobre a prática de trituração de pintinhos machos vivos pela indústria de ovos é um dos principais obstáculos para a adoção da sexagem in ovo em larga escala no Brasil, o que motivou a divulgação dos resultados da investigação.
“Para que o país possa avançar no tema, é importante que toda a sociedade tenha conhecimento sobre a prática de trituração de pintinhos”, pontua Garbini.
Para acessar a investigação na íntegra, visite salvepintinhos.com.br.