Flávio Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro já consolidou uma série de apoios desde o primeiro turno, onde terminou com 47,03% dos votos válidos (56,1 milhões). Entre os mais relevantes está o apoio de Romeu Zema, que declarou em vídeo “voto contra o PT, voto no Flávio Bolsonaro”. O Ronaldo Caiado também aderiu à candidatura, reforçando a ideia de “transformar o Brasil e devolver o Brasil aos brasileiros de bem”.
Nos últimos dias, a federação formada por União Brasil e Progressistas, que havia permanecido neutra no primeiro turno, agora declarou apoio formal. O ex‑presidente Michel Temer também se posicionou, associando o resultado das urnas ao desejo popular por “mudança, atenção e respeito”.
O apoio mais decisivo veio do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ele se juntou à articulação política de Flávio, abrindo diálogo com o próprio partido e com outras siglas, incluindo Podemos e o MDB. Dois compromissos já foram marcados: um almoço com prefeitos da região metropolitana de São Paulo (domingo, 11) e um grande evento em São José dos Campos seguido de motocarreata (segunda, 12). Tarcísio também defendeu publicamente Flávio após a repercussão negativa de sua fala sobre mudar a Constituição, argumentando que alterações constitucionais podem ser necessárias para viabilizar reformas fiscais, do Judiciário e política.
Em sua campanha, Flávio afirmou que, se eleito, pretende usar o capital político do início do mandato para tentar acabar com a reeleição. Ele detalhou uma proposta de mudança na Constituição que inclui a redução da maioridade penal e medidas contra o STF. No entanto, aliados internos alertam para o risco de um discurso “já ganhou” tão próximo da eleição. Flávio confirmou presença nos debates do segundo turno, após Lula sinalizar que também participaria, com o primeiro confronto marcado pela Band para 18 de outubro.
Enquanto isso, Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão), que ficaram terceiro e quarto no primeiro turno, mantêm a neutralidade, sem declarar apoio a nenhum dos concorrentes. Lula, portanto, permanece sem nenhum apoio formal de candidatos derrotados, cenário inverso ao de 2022, quando o petista recebeu rapidamente o apoio do centro.
Lula
No lado petista, o presidente do partido e coordenador político da campanha, Edinho Silva, defendeu que a disputa precisa se tornar um confronto direto de projetos. Ele descreveu Flávio como “incerteza, insegurança” e destacou que o senador tem “mais ligações com a milícia do que com o povo brasileiro”. A campanha do presidente busca ampliar críticas à trajetória de Flávio em temas como segurança pública, milícias, pandemia, desmatamento, fome, relações internacionais e patrimônio.
A campanha também redesenhou sua estratégia digital nesta quarta-feira (7), com reuniões entre a coordenação e os deputados que tiveram bom desempenho nas urnas e forte presença nas redes sociais, para impulsionar o alcance de Lula. Entre os assessores e conselheiros petistas, há consenso de que a comunicação digital precisa melhorar para atrair a juventude, mulheres e reverter a queda de votos. Apesar de resistência inicial, Lula já deu início ao plano, publicando vídeos em formato de ‘selfie’ e criando um canal de apoiadores chamado “Exército do Lula”.
No conteúdo das peças publicitárias, Lula publicou um vídeo na terça (6) questionando “como Flávio votaria sobre o fim da escala de trabalho 6×1”, e outro associando a promessa de “tesouraço” nas contas públicas do senador a cortes em programas sociais como Farmácia Popular, Minha Casa Minha Vida, Mais Médicos e merenda escolar. O presidente também defendeu a PEC da Segurança e resumiu o lema de campanha como “para o povo trabalhador, proteção; para o bandido, prisão”, além de convocar apoiadores a irem às ruas e subir o tom de críticas ao STF, na intenção de capturar parte do descontentamento popular com o Judiciário.
Pesquisas
As campanhas contratam pesquisas próprias, mas o resultado das estratégias será posto à prova nesta quinta-feira (8). O Datafolha divulga, no fim do dia, o primeiro levantamento de intenção de voto para o segundo turno, com base em 2.520 entrevistas e margem de erro de dois pontos percentuais. Na última pesquisa antes do primeiro turno, divulgada no último sábado (3), o instituto projetava Lula com 45% dos votos válidos contra 42% de Flávio — resultado que subestimou o desempenho do senador, que terminou a votação de domingo na frente, com 47,03% a 45,16%.
À medida que o segundo turno se aproxima, a corrida por alianças e a definição de estratégias de comunicação digital se tornam cruciais para ambos os candidatos. Enquanto Flávio tenta consolidar o apoio de partidos de centro e de direita, Lula investe em uma campanha de alcance digital e em críticas diretas ao STF, buscando reconquistar a confiança de eleitores que se sentiram desamparados nas últimas eleições. O debate marcado para 18 de outubro será