Patrimônio Cultural do Brasil
Desde 2014, o carimbó foi catalogado como Patrimônio Cultural do Brasil, consolidando sua posição como manifestação típica do Pará que une festa, música e dança. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) registrou a prática no Livro das Formas de Expressão, reconhecendo a relevância do carimbó para as comunidades que mantêm viva a tradição e para a cultura brasileira como um todo.
O gênero, que se desenvolveu a partir de influências indígenas, africanas e ibéricas no século XVII, apresenta um conjunto de ritmos, coreografias e vestimentas que variam conforme a comunidade. As celebrações acontecem ao longo do ano, sobretudo nas regiões nordeste do estado, e são marcadas por rodas de música e dança que reúnem amigos, vizinhos e fiéis.
Tambores
O curimbó, tambor utilizado nas rodas, deu origem ao nome da expressão. Com o tempo, passou a designar também o conjunto cultural. Os tambores são o coração da festa, marcando o compasso e convidando os participantes a dançar. Muitos são produzidos pelos próprios tocadores, reforçando a autonomia e a identidade local.
Além do curimbó, as rodas contam com instrumentos de sopro como flauta e saxofone, banjo, maracas, milheiros, e, em algumas ocasiões, triângulo, reco-reco e tambor de onça. As canções, que falam do lugar, da natureza, do trabalho e da vida cotidiana, são compostas por mestres e mestras que atuam como pescadores, agricultores, carpinteiros, pedreiros e outros ofícios.
Dança
A dança do carimbó é leve e pontuada por giros, executada por um casal de dançarinos que realizam passos curtos em movimentos circulares, sem se tocarem. O modo de dançar, de se vestir e de organizar as festas varia de comunidade para comunidade, refletindo a diversidade cultural do Pará.
As celebrações acontecem em encontros de bairro, festas entre amigos, eventos religiosos e festivais. Em muitas localidades, o carimbó está associado às festas de São Benedito, santo de grande devoção entre as comunidades negras da Amazônia, que ocorrem com frequência entre dezembro e janeiro, marcando momentos de fé, encontro e alegria.
Além das celebrações tradicionais, o carimbó também recebe destaque em festivais dedicados a ele, onde grupos de diferentes regiões se apresentam, trocam saberes, participam de oficinas e rodas de conversa, fortalecendo a identidade cultural e promovendo a integração entre as comunidades.
O reconhecimento do Iphan não apenas celebra a riqueza cultural do carimbó, mas também reforça a importância de preservar e difundir manifestações que carregam histórias de resistência, criatividade e identidade. Ao valorizar essa expressão, o Brasil reafirma seu compromisso com a diversidade cultural e o patrimônio coletivo, garantindo que gerações futuras possam continuar a dançar, cantar e celebrar o carimbó em sua plenitude.