Avaliação da IFI sobre a economia brasileira
Segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI), a economia brasileira está em um cenário de “equilíbrio precário”. Esse é o resultado da mais recente avaliação da entidade, divulgada na última quinta-feira (21). A IFI é um órgão vinculado ao Senado Federal e é responsável por avaliar a situação fiscal do país.
A IFI destaca que o atual arcabouço fiscal do governo continua se sustentando graças ao uso de descontos legais previstos na legislação. Isso permite que o governo excluir determinadas despesas do cálculo oficial do resultado primário. Além disso, o cumprimento das metas também é favorecido pelo uso da banda de tolerância em torno do centro da meta fiscal.
No entanto, a IFI alerta que os déficits primários efetivos seguem recorrentes. Isso significa que o governo continua gastando mais do que arrecada nas despesas primárias, enquanto a dívida pública mantém uma trajetória preocupante de crescimento.
Pressão sobre as contas públicas
Os déficits primários efetivos são um problema significativo para a economia brasileira. A IFI destaca que o aumento do número de aposentadorias urbanas e rurais, além da expansão de benefícios como o auxílio por incapacidade temporária, reforça a pressão estrutural sobre as contas públicas.
Para a IFI, diante do envelhecimento populacional e do peso crescente da Previdência no orçamento, o tema continuará no centro do debate fiscal nos próximos anos.
Lei de Diretrizes Orçamentárias 2027
A IFI também analisou o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, que deve ser votado pelo Congresso até 17 de julho de 2026. A entidade avaliou os parâmetros macroeconômicos utilizados pelo governo para embasar a proposta, como projeções de crescimento do PIB, inflação, taxa Selic, câmbio, arrecadação e desemprego.
Segundo a IFI, o cenário se torna cada vez mais desafiador diante das metas previstas para o resultado primário. A entidade destaca que as divergências nas projeções para inflação, crescimento econômico, juros e câmbio produzem diferenças relevantes nas estimativas de arrecadação, despesas, resultado primário e evolução da dívida pública nos próximos anos.
A IFI ressalta que os parâmetros macroeconômicos utilizados pelo governo são extremamente mais otimistas que os utilizados pela entidade. Isso significa que as projeções do governo para o crescimento econômico e a inflação são mais altas do que as da IFI.
Para os diretores da IFI, Marcus Pestana e Alexandre Andrade, a proximidade do período eleitoral reduz a possibilidade de medidas mais profundas de ajuste fiscal. Eles afirmam que a reestruturação fiscal e orçamentária mais ampla deverá ficar para o próximo mandato presidencial.