Impacto da seca no Nordeste
O Nordeste brasileiro ficou marcado por 319 decretos de situação de emergência, afetando mais de 1,4 milhão de pessoas entre julho e setembro de 2026. Segundo dados da Confederação Nacional de Municípios (CNM), os prejuízos causados por desastres na região atingiram R$ 5,7 bilhões, refletindo a intensidade da seca e da estiagem associadas ao fenômeno El Niño.
O levantamento faz parte da segunda edição do Boletim El Niño 2026/2027, que abrange o período de 1º de julho a 30 de setembro. O documento destaca que os decretos de emergência foram registrados em municípios dos nove estados nordestinos, evidenciando a extensão do problema.
Na análise econômica, a agricultura concentrou a maior parte das perdas regionais, com R$ 3,4 bilhões em prejuízos. Esse valor representa mais da metade do total estimado para o Nordeste, que contabilizou 45% dos R$ 12,6 bilhões de perdas em todo o país. O Sudeste ficou em segundo lugar, com R$ 4 bilhões, e o Sul, com R$ 1,8 bilhão.
Em todo o Brasil, os desastres registrados no trimestre afetaram 6,9 milhões de pessoas em 1.035 municípios, resultando em 25 mortes e 87,7 mil deslocamentos. Esses números incluem diferentes tipos de ocorrência, não se limitando apenas aos efeitos da seca no Nordeste.
Para mitigar futuros impactos, a CNM recomenda que os municípios revisem seus planos de contingência, façam o mapeamento de áreas de risco e organizem canais de comunicação eficientes com a população. Essas orientações estão consolidadas na Nota Técnica nº 12, publicada em maio de 2026, que aborda os possíveis efeitos do El Niño nos anos de 2026 e 2027.
O cenário apresentado ressalta a urgência de políticas públicas voltadas à resiliência agrícola e à gestão de crises climáticas, além de reforçar a necessidade de investimentos em infraestrutura e sistemas de alerta precoce para proteger comunidades vulneráveis em todo o Nordeste.