A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) garantiu mais quatro anos no Palácio do Planalto, mas não uma maioria no Congresso Nacional. A partir de fevereiro de 2027, Lula terá um Legislativo mais à direita, com a oposição mais forte e maior capacidade de dificultar a aprovação de propostas do governo.
O presidente precisará intensificar as negociações com partidos de centro e centro‑direita, além de fazer concessões políticas para conseguir apoio a projetos considerados prioritários. O resultado das urnas dá a dimensão desse desafio: o PL elegeu a maior bancada da Câmara dos Deputados, com 121 parlamentares na próxima legislatura, 24 cadeiras a mais que em 2022. Já a federação PT‑PCdoB‑PV terá a segunda maior bancada, com 88 deputados eleitos, seis a mais que na eleição anterior.
Em seu primeiro discurso após a proclamação do resultado das eleições, Lula reconheceu a necessidade de diálogo com o Legislativo e afirmou que pretende trabalhar com os parlamentares escolhidos pelos eleitores. “Eu não escolhi o Congresso, foi o povo quem escolheu, e é com ele que eu vou votar, trabalhar e aprovar as coisas”, disse Lula.
Eleições no Congresso serão decisivas para a governabilidade
Para Guilherme Mazieiro, consultor executivo da Oficina Consultoria, a definição dos próximos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado será um dos primeiros testes políticos do novo mandato de Lula. As eleições para o comando das duas Casas, previstas para fevereiro de 2027, devem indicar o espaço que o governo terá para negociar e avançar com sua agenda.
“Agora que a eleição acabou e a gente tem Lula reeleito e Flávio Bolsonaro derrotado, começa uma nova disputa, mas dentro do Congresso: a gente tem a eleição da Câmara e do Senado, que acontece em fevereiro, e os partidos já começam a se movimentar e o governo também. Essa eleição é fundamental para entender as condições de governabilidade que o presidente Lula vai ter no seu quarto mandato”, explica.
Segundo o especialista, o resultado das eleições também alterou a distribuição de forças entre os partidos, criando uma nova dinâmica de negociação. Embora a direita tenha ampliado sua presença no Congresso, o avanço ocorreu principalmente sobre legendas de centro e centro‑direita, o que pode abrir espaço para novas alianças.
“O resultado das urnas no primeiro turno mostrou um avanço do bolsonarismo não sobre as cadeiras da esquerda, mas sim dos partidos de centro e centro‑direita. A gente ainda tem o centrão sendo o fiel da balança, só que com menos poder. Diante desse aumento do bolsonarismo, é possível que os partidos de centro busquem apoio com os partidos de esquerda e centro‑esquerda”, diz.
“O governo, em via de regra, não se intromete nas eleições do Congresso, mas sinaliza apoio a algum candidato a partir de orientação da base. Isso pode acontecer para ajudar a enfraquecer o bolsonarismo dentro da Câmara e do Senado e ter condição de governar